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CINETERAPIA

Registros de uma trajetória entre medicina, psicoterapia, acompanhamento terapêutico, formação, cinema, infância, educação e cultura do cuidado.

Monograma Cinthya Verri em card marfim de acervo.

Cineterapia no CineBancários, projeto público e gratuito criado por Cinthya Verri para aproximar cinema, saúde mental, cultura e debate.

O Cineterapia foi um projeto público e gratuito criado por Cinthya Verri a partir da experiência do Curso de Instrução do Acompanhante Terapêutico, desenvolvido na Clínica Verri. Ao migrar para o CineBancários, em Porto Alegre, a proposta transformou o cinema em dispositivo de escuta, reflexão e debate público sobre saúde mental, vínculos, subjetividade, cultura e modos de existir.


A atividade consistia na exibição de filmes seguida de conversa com convidados de diferentes áreas — escritores, cineastas, músicos, psiquiatras, jornalistas, artistas e pensadores da cultura — em debates mediados por Cinthya Verri e Roberto Azambuja. O projeto acontecia com entrada franca e circulação pública, aproximando clínica, cinema, formação sensível e pensamento coletivo.


Este núcleo do acervo reúne registros do Cineterapia: peças gráficas, fotografias de plateia, bilheteria, sessões, mesas de debate, convidados, filmes exibidos, fontes online e pranchas fotográficas digitalizadas. No conjunto, o projeto preserva uma dimensão importante da trajetória de Cinthya Verri: a criação de espaços coletivos onde cultura, clínica e escuta pública se encontravam.

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CINEMA COMO DISPOSITIVO DE ESCUTA


O Cineterapia nasceu da aproximação entre cinema, clínica e cultura. A proposta partia da ideia de que um filme pode funcionar como campo simbólico comum para pensar a vida psíquica, os vínculos, os conflitos familiares, o sofrimento, o desejo, a memória, a culpa, a estética e as formas de existir.


Ao transformar a sessão de cinema em espaço de reflexão, o projeto deslocava temas clínicos para uma linguagem pública e compartilhada. A imagem cinematográfica permitia abordar experiências humanas complexas sem reduzi-las a diagnóstico ou explicação técnica.


Desdobramento do Curso de AT


O Cineterapia foi criado em continuidade ao Curso de Instrução do Acompanhante Terapêutico. O curso trabalhava presença, escuta, vínculo, território, vida cotidiana e leitura das situações humanas fora do setting tradicional.


No Cineterapia, essa matriz ganhou forma cultural: em vez de uma aula fechada, um encontro aberto; em vez de um caso clínico restrito, um filme como campo simbólico comum; em vez de formação apenas técnica, uma pedagogia pública da sensibilidade.

Projeto público, gratuito e regular

O Cineterapia se consolidou como atividade gratuita e aberta ao público no CineBancários, em Porto Alegre. Registros externos e peças gráficas indicam periodicidade mensal, com sessões realizadas na última segunda-feira do mês, exibição de filme, convidado especial e debate mediado por Cinthya Verri e Roberto Azambuja.


A gratuidade e a abertura ao público ampliavam o alcance da proposta. O projeto não se destinava apenas a especialistas, mas a qualquer pessoa interessada em pensar cinema, comportamento, vínculos, subjetividade e cultura.


CineBancários


O CineBancários, localizado no Centro Histórico de Porto Alegre, foi o espaço institucional de realização do projeto. A parceria com a sala conferiu ao Cineterapia um lugar reconhecido de circulação cultural, formação de público e debate.


As fotografias preservadas documentam bilheteria, plateia, mesas de debate, mediadores, convidados e circulação de público, reforçando a materialidade histórica da atividade e sua presença real na vida cultural da cidade.


Filmes, convidados e sessões


O projeto reuniu filmes e convidados de diferentes áreas. Entre as sessões documentadas estão O Homem Elefante, com Claudia Tajes; Vestígios do Dia, com Cíntia Moscovich e Luiz Paulo Faccioli; The Party, com Frank Jorge; Os Excêntricos Tenenbaums, com Humberto Gessinger; Rastros de Ódio, com Tabajara Ruas; Entrevista com Vampiro, com Mário Corso; My Fair Lady, com Nico Nicolaiewsky; Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, com Kátia Suman; e O Nome Dela é Sabine, com Carlos Gerbase.


Esse conjunto de convidados mostra a amplitude do projeto, que articulava literatura, música, cinema, comunicação, saúde mental, crítica cultural e reflexão sobre a experiência humana.


Mediação e debate


Após cada sessão, o filme era tomado como ponto de partida para uma conversa pública. A mediação de Cinthya Verri e Roberto Azambuja aproximava leitura clínica, comentários culturais, experiências pessoais, questões sociais e interpretações abertas.


O debate não buscava fechar o sentido da obra, mas abrir possibilidades de leitura. O cinema funcionava como linguagem comum para pensar sofrimento, desejo, família, culpa, memória, perda, reparação, trauma, amor e formas de laço.


Educação do olhar


Uma das dimensões centrais do Cineterapia era a educação do olhar. O projeto ensinava a ver filmes de outro modo: não apenas como narrativas fechadas, mas como experiências simbólicas capazes de revelar modos de amar, sofrer, repetir, perder, desejar, lembrar, adoecer e reparar.


Essa educação sensível aproxima o Cineterapia da trajetória mais ampla de Cinthya Verri, em que clínica, literatura, comunicação e arte frequentemente se encontram para criar linguagem sobre o humano.


Clínica Verri Espaço Cultural


As peças gráficas preservam a marca da Clínica Verri Espaço Cultural, evidenciando que o Cineterapia não era uma participação eventual em uma agenda de cinema. Tratava-se de uma atividade concebida como extensão pública da prática clínica, formativa e cultural da autora.


O projeto demonstra a continuidade entre direção clínica, formação de acompanhantes terapêuticos, produção de pensamento e atividade cultural aberta à cidade.


Registros Preservados


Este núcleo do acervo reúne peças gráficas, fotografias de plateia, registros de bilheteria, imagens de sessões, mesas de debate, convidados, fontes online, pranchas fotográficas digitalizadas e documentos de circulação do Cineterapia.


No conjunto, esses materiais preservam o Cineterapia como projeto público, gratuito, regular e interdisciplinar, articulando cinema, saúde mental, psicoterapia, acompanhamento terapêutico, cultura e debate público em Porto Alegre.

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