ADELITAS
Séries visuais, exposições, retratos, objetos e trabalhos de imagem construídos entre corpo, memória, feminilidade, ruína e reparação.

Obra monumental de Adelitas instalada na fachada do Memorial do Rio Grande do Sul, durante a exposição individual de Cinthya Verri em 2019.
Adelitas é uma exposição individual de Cinthya Verri realizada no Memorial do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, entre março e abril de 2019. A mostra articulou artes visuais, instalação, pintura, vídeo documental, performance musical, pesquisa histórica e memória latino-americana a partir da figura das Soldaderas — mulheres que participaram da Revolução Mexicana e foram frequentemente apagadas das narrativas oficiais.
O projeto ocupou o Memorial com obras de grande escala, incluindo uma intervenção monumental na fachada do prédio, além de pinturas em pano e vidro, mosaicos, máscaras/cabeças em parafina e areia, instalação, vídeo, performance, música e documentação de viagem. A exposição integrou também o vídeo Margarita Recebe Margarita, entrevista realizada por Cinthya Verri na Cidade do México, na casa de Margarita Zapata, neta de Emiliano Zapata.
Em dezembro de 2019, Adelitas teve desdobramento internacional no Brazilian Cultural Centre, em Nottingham, Reino Unido, em apresentação que reuniu performance, música, fala pública, imagens da pesquisa e mediação cultural. Este núcleo do acervo preserva Adelitas como um dos projetos mais amplos da trajetória visual de Cinthya Verri: uma obra entre arte, história, corpo, feminismo latino-americano, memória política, performance e circulação pública internacional.
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Exposição individual no Memorial do Rio Grande do Sul
Adelitas foi uma exposição individual de Cinthya Verri realizada no Memorial do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, de 9 de março a 28 de abril de 2019. A abertura ocorreu em 9 de março, dentro da programação da Semana da Mulher, com vernissage e performance musical da artista.
A mostra ocupou um equipamento cultural de relevância pública e incluiu uma obra monumental de aproximadamente 10 metros instalada na fachada do Memorial, tornando a exposição visível no espaço urbano antes mesmo da entrada no museu. Esse gesto ampliou a escala simbólica do projeto: as mulheres da Revolução Mexicana passaram a ocupar também a arquitetura pública da cidade.
Soldaderas, memória e apagamento histórico
O projeto partiu da figura das Adelitas ou Soldaderas, mulheres que participaram da Revolução Mexicana como combatentes, cuidadoras, companheiras, mensageiras, sobreviventes e presenças políticas. A exposição deslocou essas figuras do lugar decorativo ou folclórico, recolocando-as como símbolos de participação histórica, força coletiva, luto, memória e permanência.
Em Adelitas, a história não aparece como ilustração distante. Ela retorna como corpo, rosto, imagem, máscara, canto, documento e presença. A exposição propõe uma leitura feminista e latino-americana da memória: aquilo que foi apagado das narrativas oficiais reaparece como obra visual.
Linguagens da exposição
A exposição reuniu pinturas em pano e vidro, mosaicos, máscaras e cabeças em parafina e areia, instalação, vídeo documental, performance musical, música e documentação de viagem. Essa diversidade de linguagens transformou Adelitas em um projeto interdisciplinar, situado entre artes visuais, performance, pesquisa histórica, audiovisual e cultura material.
As obras não funcionavam apenas como imagens isoladas. Elas compunham um ambiente de memória, presença e reverência, no qual pintura, matéria, corpo, som e documento formavam uma experiência expositiva integrada.
Máscaras, rostos e arquivo vivo
Um dos eixos materiais da mostra envolveu moldes faciais de mulheres voluntárias, transformados em cabeças e máscaras de parafina e areia. Esse procedimento conferiu à exposição uma dimensão de arquivo vivo.
As máscaras não representavam apenas mulheres do passado. Elas incorporavam rostos contemporâneos e criavam uma ponte entre diferentes tempos, territórios e experiências femininas. A memória histórica das Soldaderas encontrava, assim, corpos e rostos atuais, produzindo uma continuidade simbólica entre mulheres latino-americanas de ontem e de hoje.
Vernissage e performance musical
A abertura de Adelitas incluiu performance musical de Cinthya Verri, com repertório associado ao universo cultural mexicano e ao tempo das Adelitas. Esse gesto reforçou a natureza híbrida da mostra: exposição visual, ato performático, canto, corpo e gesto de memória.
A música ampliou a experiência expositiva para além da imagem, criando um ambiente sensível de evocação histórica e presença corporal. A artista não apenas expôs obras; ela ocupou a exposição com voz, instrumento e performance.
Margarita Recebe Margarita
O vídeo Margarita Recebe Margarita integrou o percurso de Adelitas. A entrevista foi realizada por Cinthya Verri na Cidade do México, na casa de Margarita Zapata, neta de Emiliano Zapata, durante o processo criativo da exposição.
Esse encontro conectou a mostra gaúcha a uma linhagem histórica mexicana e latino-americana. Ao incorporar o vídeo, Adelitas ampliou seu campo de ação: a exposição passou a reunir pintura, instalação, performance, pesquisa de campo, entrevista documental e memória política.
Debate com Margarita Zapata e Manuela D’Ávila
O encerramento público da exposição teve debate com Margarita Zapata e Manuela D’Ávila, no Auditório Oswaldo Goidanich do Memorial do Rio Grande do Sul. O encontro vinculou a mostra à história latino-americana, à memória das Soldaderas e ao debate contemporâneo sobre feminismo em tempos de guerra e paz.
Esse momento reforça a dimensão pública e política de Adelitas. A exposição não se restringiu ao espaço das obras: ela produziu conversa, encontro, pensamento histórico e circulação social.
Circulação internacional no Reino Unido
Em 13 de dezembro de 2019, Adelitas teve desdobramento internacional no Brazilian Cultural Centre, em Nottingham, Reino Unido. A atividade reuniu performance, apresentação musical, fala pública, imagens da pesquisa e mediação cultural diante do público.
A apresentação no Reino Unido ampliou o alcance do projeto para fora do Brasil, articulando Brasil, México e comunidade brasileira no exterior. Cinthya Verri apresentou uma pesquisa artística concebida no Brasil, dedicada à memória das mulheres latino-americanas e à participação feminina em processos políticos e revolucionários.
Representação cultural brasileira no exterior
A apresentação no Brazilian Cultural Centre registra a presença de Cinthya Verri como artista brasileira em espaço cultural brasileiro no exterior. A atividade teve valor artístico, educativo e cultural, levando ao público de Nottingham uma pesquisa sobre Revolução Mexicana, Soldaderas, feminismo latino-americano, música, performance e artes visuais.
Esse desdobramento confirma que Adelitas ultrapassou o âmbito local. A obra ganhou circulação internacional e tornou-se também uma ação de representação cultural, mediação histórica e comunicação pública.
Registros preservados
Este núcleo do acervo reúne fotografias da exposição no Memorial do Rio Grande do Sul, registros da fachada, imagens das obras, máscaras, laboratório de criação, performance musical, documentos de imprensa, registros do debate com Margarita Zapata e Manuela D’Ávila, materiais do vídeo Margarita Recebe Margarita e registros da apresentação internacional no Brazilian Cultural Centre, em Nottingham.
No conjunto, esses materiais preservam Adelitas como exposição individual, projeto interdisciplinar, pesquisa visual, performance, ação de memória, obra feminista latino-americana e marco de circulação internacional na trajetória de Cinthya Verri.












