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Curso de Instrução do Acompanhante Terapêutico

Registros de uma trajetória entre medicina, psicoterapia, acompanhamento terapêutico, formação, cinema, infância, educação e cultura do cuidado.

Monograma Cinthya Verri em card marfim de acervo.

Material de divulgação do Curso de Instrução do Acompanhante Terapêutico — Clínica Verri Espaço Cultural, 2011, com Cinthya Verri, Roberto Azambuja, Fernanda Seelig e convidados, incluindo início das atividades na Santa Casa.

O Curso de Instrução do Acompanhante Terapêutico integra a dimensão clínica, formativa e cultural da trajetória de Cinthya Verri. Criado, coordenado e lecionado por ela no âmbito da Clínica Verri / Clínica Verri Espaço Cultural, o curso articulava saúde mental, escuta, relações interpessoais, ética do cuidado, psicopatologia, território, autonomia e acompanhamento fora do setting tradicional.


Com registros públicos entre 2009 e 2012, duas turmas realizadas e cartaz de nova turma em agosto de 2011, a formação reunia Cinthya Verri, Roberto Azambuja, Fernanda Seelig e convidados. O material documental também indica estágios e aulas práticas na Santa Casa, com participação em grupos vinculados ao Dr. Nélio Tombini, reforçando o caráter aplicado e profissionalizante da proposta.


Este núcleo do acervo preserva o curso como uma iniciativa autoral de formação em saúde mental e clínica ampliada. Mais do que uma atividade pedagógica isolada, o Curso de Instrução do AT documenta uma concepção de cuidado em que presença, vínculo, cotidiano, circulação, família, cidade e reconstrução de autonomia se tornam parte da prática clínica. 


O curso também antecede e ajuda a contextualizar o nascimento posterior do Cineterapia, projeto público e gratuito que levou a escuta clínica para o campo da cultura e do cinema.

Clínica Verri Espaço Cultural


O Curso de Instrução do Acompanhante Terapêutico foi desenvolvido no âmbito da Clínica Verri / Clínica Verri Espaço Cultural, em Porto Alegre. A designação “espaço cultural”, presente no material gráfico do curso, evidencia uma característica importante da trajetória de Cinthya Verri: a articulação entre clínica, formação, cultura, cuidado e vida pública.


A Clínica Verri não funcionava apenas como espaço de atendimento individual. Ao longo dos anos, tornou-se também lugar de ensino, reflexão, formação, projetos culturais e criação de dispositivos voltados à saúde mental, à subjetividade e às relações humanas.


Criação, coordenação e docência


O curso foi criado, coordenado e lecionado por Cinthya Verri, médica, psicoterapeuta e diretora da Clínica Verri. A documentação preservada registra a existência de identidade visual, blog próprio, cartaz de divulgação, chamada para novas turmas, equipe docente e proposta pedagógica estruturada.


Essa dimensão é importante porque mostra Cinthya não apenas como profissional clínica, mas também como formadora, organizadora de metodologia, coordenadora de equipe e criadora de projetos no campo da saúde mental.


O que é o acompanhamento terapêutico


No material do curso, o acompanhante terapêutico aparece como uma presença qualificada que acompanha o paciente em situações da vida cotidiana, deslocamentos, convivência social e reconstrução de vínculos.


A proposta não reduzia o AT a vigilância, assistência prática ou cuidado operacional. O acompanhamento era apresentado como uma tecnologia relacional de cuidado, voltada à autonomia, à reaproximação com o mundo e à sustentação dos aspectos saudáveis preservados durante o adoecimento.


Público-alvo e campos clínicos


O curso era voltado a pessoas interessadas em se profissionalizar como acompanhantes terapêuticos, bem como a familiares e cuidadores que buscavam qualificar o cuidado oferecido a alguém próximo.


O programa abrangia situações relacionadas a sofrimento psíquico, dependência química, manejo de situações agudas, distúrbios alimentares, quadros fóbicos e depressivos, envelhecimento, reconstrução de projetos de vida, transtornos e deficiências mentais, além de outras situações envolvendo dimensões físicas, psíquicas e sociais.


Metodologia e diferencial pedagógico


O diferencial pedagógico do curso estava em tratar o acompanhamento terapêutico como aprendizagem situada. A formação não se restringia à transmissão de conceitos abstratos: buscava desenvolver presença, escuta, leitura relacional, manejo de crise, ética do cuidado, trabalho em equipe, capacidade de observação e sensibilidade para sustentar a autonomia possível em cada caso.


A atividade articulava psicoterapia, psiquiatria, convivência comunitária e práticas de cuidado fora do consultório. Essa metodologia permitia compreender o paciente em movimento: na casa, na rua, na família, nos serviços, nos medos, nas perdas, nos vínculos e nas tentativas de reorganização da vida cotidiana.


Campo prático na Santa Casa


O cartaz de 2011 indica a existência de estágios na Santa Casa. O documento também registra que as turmas tiveram aulas práticas em grupos vinculados ao Dr. Nélio Tombini.


Esse dado reforça o caráter profissionalizante da proposta. A presença de campo prático diferencia o curso de uma atividade meramente teórica, pois o acompanhamento terapêutico exige formação sobre presença em situação, manejo de vínculo, observação de contexto e escuta em ambientes reais de cuidado.


Caráter pioneiro e valor formativo


O Curso de Instrução do AT aparece, no conjunto da trajetória de Cinthya Verri, como iniciativa de caráter pioneiro local, criada em um período em que ainda havia escassez de formações acessíveis e diretamente voltadas à prática do acompanhamento terapêutico em Porto Alegre.


A iniciativa revela a capacidade de identificar uma lacuna formativa no campo da saúde mental e responder a ela com projeto estruturado, linguagem pública, equipe, metodologia, divulgação e articulação institucional.


Relação com o Cineterapia


O Curso de Instrução do AT antecede e ajuda a explicar o nascimento do Cineterapia. A formação do acompanhante terapêutico exigia leitura de vínculos, conflitos, família, autonomia, presença e mundo cotidiano.

O Cineterapia transfere essa matriz de pensamento para o espaço público da cultura. O filme passa a funcionar como campo simbólico comum para discutir comportamento, subjetividade, desejo, memória, culpa, relações familiares e sofrimento humano.


A passagem do curso para o Cineterapia demonstra continuidade entre clínica, formação e cultura: primeiro, a criação de uma formação para o cuidado em saúde mental; depois, a ampliação dessa pedagogia para uma atividade pública, gratuita e cultural.


Registros Preservados


Este núcleo do acervo reúne imagem de divulgação, cartaz online do Curso de Instrução do AT, registros do blog, chamada de novas turmas, materiais da Clínica Verri Espaço Cultural, informações sobre equipe, descrição pública do curso, referência a estágios na Santa Casa e documentos relacionados à sua conexão com o Cineterapia.


No conjunto, esses materiais preservam uma dimensão importante da trajetória de Cinthya Verri: a clínica como prática de cuidado, formação, transmissão, presença, território e cultura.

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