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Toda Mulher Pode Ser Uma Boneca

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Era uma vez, eu vi uma princesa. Desceu do Uber como quem sai da carruagem. O imprevisível vestido sobre as anáguas, Maria Antonieta contemporânea. Babados, topes de cetim na cabeça, um anel de plástico com um castelinho cor-de-rosa. Chamava-se Mariana.

“Sou Hime Gyaru”, ela me disse.

 

Fui assim introduzida à moda mais expressiva das últimas décadas: as Gyarus. São jovens mulheres que se expressam através do estilo.

 

 

A palavra "Gyaru" (ギ ャ ル) é uma pronúncia japonesa derivada do inglês girl: "gal". Entrou pela primeira vez no idioma, em 1972, como uma submarca de jeans Wrangler.

 

Os japoneses entendem sua própria história da cultura de rua como uma sucessão constante de tribos juvenis que dominam a paisagem por alguns anos e desaparecem tão rapidamente como chegaram.

 

A exceção que confirma a regra trata-se da subcultura Gyaru, que existiu de uma forma ou de outra durante duas décadas. Embora o estilo tenha mudado dramaticamente várias vezes, e se estilhaçado em facções distintas, alguns princípios permaneceram estáveis: cabelos coloridos em qualquer lugar entre castanho e loiro profundo, roupas relativamente sexy, abraço de jovens, compras crônicas em Shibuya 109 e uma atitude irreverente. Não foi uma única tribo, mas, em vez disso, algo como um fluxo de estilo — com cada encarnação influenciando radicalmente a próxima ao longo do caminho.

 

Gyarus representam uma mensagem de sensibilização para o feminismo e a igualdade de gênero em um dos lugares de patriarcado mais entrincheirado no mundo desenvolvido, o Japão. Lá, ainda hoje, apenas 20% das mulheres se declaram feministas. As desigualdades nos ambientes de trabalho são nítidas. Através das necessidades de expressão Gal, elas criam marcas próprias, roupas, acessórios e pequenos negócios como O Ganguro Café, atração turística em Harajuku. Fundaram o Black Diamond, um círculo de garotas que cantam, dançam o “Para Para” juntas e querem dominar o mundo.

 

Enquanto as famosas gueixas são o símbolo de obediência e disciplina, com a pele imaculada e a face pálida, Gals bronzeiam-se ao extremo. São a resposta feminista de que o oriente precisava desde o assassinato das radicais lutadoras pelos direitos das mulheres em 1920.

 

Não há data ou mesmo ano exatos de quando o Gyaru apareceu pela primeira vez nas ruas de Shibuya. Sua chegada foi gradual e inesperada. No início da década de 1990, a nação começou a notar um enxame de meninas do ensino médio com cabelos castanhos, saias de escola curtas e ligeiramente bronzeadas — agarradas em bolsas de luxo europeias e usando cachecóis Burberry. E, de repente, elas eram amplamente conhecidas sob o nome de kogyaru (コ ギ ャ ル).

 

Shibuya agora é famosa como o local de nascimento e a meca do Gyaru moderno, no lado ocidental de Tóquio.

 

Gyaru tem inúmeros subestilos. Basicamente, se aplica a toda mulher que decide exagerar seu estereótipo, como se pudesse representar um arquétipo de forma lúdica. Uma boneca viva.

 

Elas irão sublinhar os detalhes escolares rebeldes, no caso das Kogal; poderão maquiar o rosto de preto para reforçar um bronzeado improvável, se forem Ganguros; uma B-Gal, ou Black Gal, estará com seus bonés e largas roupas do Hip Hop; e as Hime Gyaru andarão vestidas como verdadeiras princesas rococós.

 

Gyarus também desafiam os costumes em Londres, Estados Unidos e Brasil: em São Paulo, Porto Alegre e até em Rondônia. São inesperadas flores selvagens entre as cerejeiras.

 

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BABY DOLL

TODA MULHER PODE SER UMA BONECA

ANDREUS GALERIA

Rua Nestor Pestana, 109

Consolação – São Paulo

De 05 a 27 de outubro

Entrada Franca

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